Nenhuma empresa contrata um funcionário sem saber o que ele vai fazer, a que sistemas terá acesso, quem é o gestor dele e o que acontece se der errado. Com agentes de IA, isso ainda acontece de forma surpreendentemente informal.
Um agente não só responde perguntas. Ele pode acessar informações, usar ferramentas, interpretar instruções e executar ações. Isso amplia a superfície de risco. E, ao contrário de um funcionário, ele não tem bom senso para desconfiar de um pedido estranho.
A resposta que a D&D Group recomenda é simples: antes de ligar qualquer agente, ele precisa de um passaporte.
Por que isso entrou na pauta da diretoria
A discussão sobre controle de IA deixou de ser só técnica. Em 29 de setembro de 2026, Google, OpenAI, Meta, Anthropic, Nvidia e xAI assinaram um acordo voluntário, não vinculante, com quatro camadas de controle: controles internos, uma equipe interna que verifica esses controles, um auditor externo independente e um comitê independente do conselho. Se quem constrói a tecnologia aceita ter controles, auditoria e responsabilização, a empresa que usa essa tecnologia em operações reais também precisa ter os seus.
A segurança de agentes também já é tratada como tema próprio pelo mercado. O OWASP Gen AI Security Project publicou, em dezembro de 2025, um guia específico para aplicações agenticas, e a Microsoft descreve identidade e privilégio mínimo como a base para proteger agentes.
O que é o passaporte do agente
É um documento curto, uma página, que descreve o que um agente de IA pode e não pode fazer dentro da empresa. Ele deve ser preenchido antes do piloto, aprovado por um responsável e revisado a cada mudança relevante.
São oito campos:
- Finalidade: qual problema de negócio o agente resolve e qual indicador ele deve mudar. Se não há indicador, ainda não há projeto.
- Dados acessados: quais bases, documentos e sistemas ele lê. Dados pessoais e sigilosos pedem justificativa explícita.
- Ferramentas autorizadas: o que ele pode usar (e-mail, ERP, CRM, planilhas, APIs) e o que está fora do alcance dele.
- Decisões permitidas: o que ele pode fazer sozinho, o que apenas sugere e o que exige aprovação humana.
- Responsável: uma pessoa, não um departamento, que responde pelo resultado e pelos erros.
- Logs: o que será registrado de cada ação, por quanto tempo e quem pode consultar.
- Métricas: qualidade, custo por tarefa concluída, tempo, taxa de retrabalho e necessidade de revisão humana.
- Procedimento de desligamento: como, por quem e em quanto tempo o agente é interrompido se algo sair do esperado.
A pergunta que mais importa: o que nunca sai da mão de uma pessoa?
O campo 4 é o mais difícil e o mais valioso. Antes de liberar qualquer agente, a diretoria deveria listar o que continua sendo decisão humana. Exemplos comuns:
- aprovar pagamentos;
- assinar contratos;
- conceder descontos fora da política;
- responder a cliente em crise.
A IA prepara, sugere e acelera. A decisão crítica fica com o time.
Exemplo ilustrativo (hipotético)
Uma empresa quer um agente para conciliar notas fiscais com pedidos de compra. No passaporte, ela define: finalidade (reduzir o tempo de fechamento), dados (notas e pedidos do ERP), ferramentas (leitura do ERP e abertura de chamado), decisão permitida (aprovar divergências de valor abaixo de um limite definido; acima dele, apenas sugerir), responsável (o gerente financeiro), logs (todas as consultas e decisões), métricas (tempo de fechamento e taxa de revisão) e desligamento (a TI pode revogar o acesso em minutos). O exemplo é hipotético e não representa um caso de cliente.
Como começar na próxima semana
- Liste os agentes e automações com IA que já estão em uso, inclusive os que equipes criaram por conta própria.
- Escolha um e preencha o passaporte com o time de negócio e a TI juntos. Não é tarefa só da TI.
- Revise o que o agente acessa hoje e retire o que não é necessário.
- Defina quem aprova passaportes novos e com que frequência eles são revistos.
Perguntas frequentes
O passaporte substitui a política de segurança da empresa? Não. Ele operacionaliza a política para cada agente. A política diz as regras gerais; o passaporte diz o que vale para aquele agente.
Vale para ferramentas de IA que os funcionários já usam? Vale para qualquer uso que acesse dados da empresa ou execute ações. Começar por um processo, um agente e um responsável é mais realista do que tentar cobrir tudo de uma vez.
Quem deve ser o responsável de um agente? Quem responde pelo resultado do processo que ele atende, e não necessariamente a TI. A TI garante arquitetura, integração e segurança; o negócio responde pelo resultado.
Isso trava a inovação? O objetivo é o contrário. Governança não é freio: é o que deixa o time usar IA com confiança.
Conclusão
Todo agente que entra na operação sem passaporte é um acesso sem dono. A pergunta para a sua empresa não é se vai usar agentes, e sim quem aprova o que cada um deles pode fazer.
A D&D Group atua no redesenho de operações, hiperautomação, dados e agentes de IA com governança desde o desenho da solução. Se a sua empresa quer revisar os agentes que já existem ou estruturar o primeiro com segurança, fale com a gente.



