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A próxima disputa por atenção não será apenas para ocupar a primeira posição do Google. Será para se tornar a resposta recomendada pelas inteligências artificiais.

A próxima disputa por atenção não será apenas para ocupar a primeira posição do Google. Será para se tornar a resposta recomendada pelas inteligências artificiais.

Durante duas décadas, empresas aprenderam a disputar cliques. Investiram em SEO, mídia, conteúdo, reputação e autoridade para aparecer quando um potencial cliente pesquisasse por uma solução.

Agora, uma mudança estrutural está acontecendo: o usuário não quer necessariamente visitar dez páginas para formar uma opinião. Ele pergunta ao ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity ou a uma experiência de busca generativa e recebe uma resposta sintetizada.

Isso cria um novo desafio para marketing, vendas e posicionamento de marca: não basta ser encontrado. É preciso ser compreendido, considerado confiável e citado por sistemas que combinam múltiplas fontes antes de recomendar uma empresa, produto ou abordagem.

Para a liderança, a implicação é clara: visibilidade em AI Search precisa entrar na agenda de marca, conteúdo, dados e arquitetura digital. Ainda não existe uma fórmula garantida de “primeiro lugar” nas respostas, mas já existem práticas concretas para aumentar a elegibilidade e a autoridade digital.

Como fazer sua empresa aparecer nas respostas do ChatGPT e das outras IAs

O nome mais usado para essa disciplina é GEO — Generative Engine Optimization — embora o mercado também use termos como AEO, AI Search Optimization e LLM Optimization. A lógica não substitui o SEO. Ela amplia o campo de disputa.

1. Garanta que as IAs consigam acessar o site

O primeiro passo é técnico. O site não pode bloquear os robôs usados pelas experiências de busca. No caso do ChatGPT, a OpenAI informa que o OAI-SearchBot é utilizado para apresentar sites nas respostas de busca. Bloqueá-lo reduz a possibilidade de aparecer como fonte.

2. Produza conteúdo que responda perguntas reais

Páginas institucionais genéricas são pouco úteis para mecanismos de resposta. A empresa precisa publicar conteúdos claros sobre problemas, métodos, aplicações, limitações, resultados, comparações e perguntas frequentes do seu mercado.

3. Demonstre experiência, não apenas opinião

Casos práticos, metodologias próprias, dados originais, especialistas identificados, evidências e aprendizados de projetos ajudam a construir autoridade. Conteúdo commodity escrito para repetir o que todos já dizem tende a ser facilmente substituído.

4. Estruture informações sobre empresa, pessoas, serviços e produtos

Dados estruturados continuam relevantes para ajudar os mecanismos a compreender entidades e relações. A própria orientação do Google destaca que não existe uma marcação especial exclusiva para AI Search, mas recomenda manter fundamentos técnicos e dados estruturados coerentes com o conteúdo visível.

5. Construa autoridade fora do próprio domínio

As IAs não dependem apenas do que a empresa afirma sobre si. Menções em veículos, parceiros, clientes, associações, estudos, eventos e páginas confiáveis ajudam a validar reputação, especialidade e contexto.

6. Publique conteúdo legível e citável

Respostas objetivas, subtítulos descritivos, definições, listas, tabelas, comparações e conclusões claras facilitam a extração de trechos úteis. A prioridade deve continuar sendo o leitor humano, mas com uma arquitetura editorial que também seja compreensível por máquinas.

7. Monitore uma nova categoria de visibilidade

A OpenAI permite identificar tráfego originado do ChatGPT por parâmetros de referência. Bing e Google também vêm ampliando relatórios de desempenho ligados às experiências de AI Search. A empresa deve acompanhar menções, citações, tráfego, share of answer e presença por categoria de pergunta.

GEO não é escrever para robôs. É tornar a experiência, a autoridade e a proposta de valor da empresa suficientemente claras para que humanos e máquinas consigam reconhecê-las.

Checklist executivo de 30 dias

☐ Validar robots.txt, indexação, sitemap, desempenho e acesso dos principais crawlers.

☐ Mapear as 30 perguntas que clientes e decisores fazem antes de contratar a empresa.

☐ Criar ou revisar páginas sobre serviços, setores, casos, metodologia, especialistas e resultados.

☐ Implementar dados estruturados aplicáveis, especialmente Organization, Article, Person, Product/Service e FAQ quando aderente às políticas.

☐ Transformar conhecimento interno em artigos originais assinados por especialistas.

☐ Realizar testes mensais em diferentes IAs e registrar quando a marca aparece, em qual contexto e com quais concorrentes.

☐ Adicionar ChatGPT, Bing e experiências generativas ao dashboard de aquisição e influência.

5 movimentos que importam para os negócios

1. A IA começa a executar trabalhos mais longos não apenas responder perguntas

O que aconteceu:A OpenAI publicou uma análise sobre como a IA está ampliando o que as pessoas conseguem fazer no trabalho. O movimento reforça a transição de copilotos de consulta para sistemas que acompanham tarefas mais complexas e duradouras.

Por que importa:O valor deixa de estar somente em gerar texto ou resumir documentos. Empresas precisam redesenhar fluxos completos, definir onde o agente pode agir e estabelecer indicadores de qualidade, custo, tempo e risco.

Ação recomendada:Mapeie um processo relevante que dure horas ou dias e identifique quais etapas poderiam ser coordenadas por um agente, mantendo pontos explícitos de validação humana.

2. Segurança para agentes vira tema central da arquitetura empresarial

O que aconteceu:A Microsoft destacou que IA e agentes exigem uma revisão das práticas tradicionais de segurança. Agentes podem acessar informações, utilizar ferramentas, interpretar instruções e executar ações, ampliando a superfície de risco.

Por que importa:A discussão de segurança não pode entrar apenas depois do piloto. Identidade, permissões mínimas, segregação de funções, rastreabilidade, proteção contra instruções maliciosas e resposta a incidentes precisam nascer junto com a solução.

Ação recomendada:Exija um “passaporte do agente”: finalidade, dados acessados, ferramentas autorizadas, decisões permitidas, responsável, logs, métricas e procedimento de desligamento.

3. Claude Opus 5 reforça a corrida por agentes de longa duração

O que aconteceu:A Anthropic apresentou o Claude Opus 5, posicionado para coding, trabalho profissional e agentes que permanecem mais tempo em execução. A evolução mostra que autonomia e persistência estão se tornando atributos centrais dos modelos de fronteira.

Por que importa:A vantagem competitiva não virá simplesmente de contratar o modelo mais poderoso. Virá da combinação entre modelo, contexto proprietário, ferramentas, avaliação, governança e integração com a operação.

Ação recomendada:Evite contratos ou arquiteturas excessivamente dependentes de um único modelo. Estruture avaliações por tarefa e mantenha uma camada que permita trocar ou combinar modelos.

4. Google mira eficiência e confiabilidade para agentes em escala

O que aconteceu:O Google anunciou novos modelos Gemini com foco em eficiência, latência, confiabilidade e aplicações de segurança. O sinal para o mercado é que a competição está migrando da inteligência bruta para a capacidade de operar agentes com custo e velocidade sustentáveis.

Por que importa:Casos de negócio dependem da economia unitária. Um agente que funciona bem em uma demonstração pode não ser viável quando processa milhares de interações, documentos ou decisões por dia.

Ação recomendada:Inclua custo por tarefa concluída, latência, taxa de reprocessamento e necessidade de revisão humana na conta de ROI.

5. Medir o uso econômico da IA fica mais acessível

O que aconteceu:A Anthropic tornou seu Economic Index mais acessível por meio de uma experiência de consulta no Claude, permitindo explorar como a IA está sendo utilizada em diferentes atividades e áreas da economia.

Por que importa:A adoção precisa ser analisada pelo trabalho realizado — não apenas por número de licenças. A métrica relevante é o quanto a IA altera capacidade, qualidade, ciclo, margem ou risco de uma atividade.

Ação recomendada:Substitua a métrica “usuários ativos de AI” por um portfólio de métricas operacionais: horas evitadas, ciclos reduzidos, decisões suportadas, exceções antecipadas e receita influenciada.

A nova vantagem competitiva não será ter acesso à IA

Praticamente todas as empresas terão acesso aos mesmos modelos. A diferença estará na capacidade de transformar modelos genéricos em sistemas operacionais específicos para o negócio.

Isso exige cinco elementos combinados: processos redesenhados, contexto e dados proprietários, integrações com sistemas, mecanismos de avaliação e governança para decisões e ações.

Sem essa arquitetura, a empresa terá ferramentas sofisticadas distribuídas entre colaboradores. Com essa arquitetura, poderá construir capacidades que aprendem, executam, medem e evoluem dentro da operação.

A pergunta executiva, portanto, não é “qual modelo vamos contratar?”. É “qual capacidade de negócio queremos construir e qual arquitetura permitirá operá-la com segurança, escala e resultado?”.

Aplicação prática

Um exercício para a próxima reunião de liderança

Escolha uma jornada crítica — aquisição de clientes, fechamento financeiro, conciliação, atendimento, análise de documentos, gestão de pedidos ou tratamento de exceções logísticas — e responda:

  • Qual resultado de negócio essa jornada precisa produzir?
  • Onde existe espera, retrabalho, digitação, conferência ou dependência de pessoas-chave?
  • Quais decisões são repetitivas e possuem critérios identificáveis?
  • Quais dados estão disponíveis e quais permanecem fragmentados?
  • O que poderia ser automatizado por regras e o que exige interpretação de AI?
  • Quais ações um agente poderia executar e quais devem exigir aprovação?
  • Como o ganho será medido em receita, margem, produtividade, risco ou experiência?

Não comece pela ferramenta. Comece pela capacidade que o negócio ainda não possui.

Sua empresa está usando inteligência artificial para tornar tarefas existentes mais rápidas ou para construir uma nova capacidade operacional?

A D&D Group atua no redesenho de operações, transformação digital, hiperautomação, dados e agentes de AI, conectando tecnologia a resultados concretos de negócio.